Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Transpirinaica 2009

 

 

Fotografias da travessia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diário Transpirinaica 2009

 

Dia 20 de Junho de 09
Dolorosos 45km montanha revoltada oceano desejado Pelas 07:00 e comandados pelo sol, pedalavam ao sabor do vento deixando para trás a aldeia de Etxalar com objectivo de finalizarem os restantes 45km desta grandiosa travessia Transpirinaica bem sucedida e merecida. A montanha revoltada ofereceu nesta última etapa um trilho recheado de gravilha, vales apertados, desníveis agressivos e altamente calorosos. Convencidos de uma etapa fácil, seguiram trilho para desaguarem no oceano atlântico. A primeira subida do dia foi fácil de superar e por ironia do destino a mais gratificante de todas as subidas da Transpirinaica. Alcançaram o olhar oceânico. Desde o cume, a montanha permitiu a estes nossos amigos por escassos minutos, uma paisagem oceânica de perder a vista. Que reconfortante deve ter sido, imagino a sensação. O final estava perto. Após o primeiro vale a montanha obrigou-os há mais um passeio com as BTT as costas. A gravilha transformou o trilho numa passadeira rolante impossibilitando assim progressão montados. O declive foi agressivo e o calor apertava quando os carregadores chegaram ao cume. Hidratados mas desconfiados deixaram cume seguindo trilho a espera de mais surpresas. A altitude despedia-se ao longo das pedaladas em direcção ao mar. A montanha finalmente cedeu, o trilho transformou-se e a progressão até ao final da etapa foi perfeita. Pelas 16h00, na vila piscatória de Hondarribia, os nossos amigos, miravam a montanha lançando gargalhadas de satisfação com os corpos flutuando no oceano atlântico e orgulhosos por finalizarem esta grande travessia Transpirinaica. Depois das gragalhada e despedirem-se da montanha, fatigados fisicamente aguardavam transporte para regresso as origens na areia fina da praia de Hondarribe. As BTT, finalmente repousavam em terreno plano e arenoso já arrefecidas metalicamente pela brisa maritima e prontas a seguir ao estaleiro para reanimação. O Mr. Bob do Rui, todo desengonçado, aproveitava o descanso merecido e mostrava-se incomodado, pois necessitava de um veio novo, de ser tratado urgentemente. O polegar do Ricardo mantinha-se no activo, calejado até ao osso não dando hipóteses ao selector das mudanças que sentia-se derrotado mas pronto a ser consertado na próxima paragem as boxes. O regresso as origens dos nossos BTTistas correu como planeado. Relaxados e acompanhados pela família que tanto os esperava, rodaram até casa são e salvos e prontos a hibernar em solo português rogando por um colchão fofinho e aconchegante para o descanso do guerreiro. É de louvar a atitude, o empenho, camaradagem e dedicação destes nossos amigos. Demonstraram uma resistência psicológica extraordinária e superaram todos os ataques pirenaicos derrotando a montanha ao estilo de um montanheiro do N Aventuras.
Família e amigos os esperam para celebrarem e partilharem esta aventura. Os sócios do N Aventuras enviam um forte abraço aos nossos amigos que tantas saudades deixaram.
 
Brevemente será publicado neste blog fotos e vídeo desta aventura. Até breve!  
 
“O futuro se faz agora e cada erro é uma vitória. Pois a derrota não existe. Não há conquista sem labuta. A vida é uma infinita luta onde só perde quem desiste”
Douglas Rafael

 

Dia 19 de Junho
Mr. Bob cansadoSOS ambulância                                            
O céu amanheceu enublado e acompanhado por chuva pirenaica nesta 8ª e penúltima etapa da transpirinaica. Como tem sido habitual, bem sucedida mas com um final triste. El San Pedro acompanhou os nossos amigos durante os 71km da etapa. Com o trilho encharcado apareceu o amigo Lamas e desta vez isento de bosta e com vontade de dificultar a vida aos BTTistas desta grande odisseia pirenaica. Os obstáculos foram superados com algum esforço, pelo estado do trilho e claro pelo desgaste físico dos nossos amigos. A energia física diminui mas a esperança prevalece pois amanhã será a ultima etapa da transpirinaica. Todos encharcados aterraram em França numa breve passagem pelos Alpes franceses. Esta etapa é fronteiriça, facto este levou os nossos amigos a pedalarem à francesa por alguns quilómetros através de subidas agressivas e terreno difícil. Espanha surgiu por entre vales verdejantes e a pedalada continuou até o Mr. Bob do Rui manifestar-se cansado. O veio do objecto pesado acabou por partir, não resistiu a tanta agressão, estava cansado. As ferramentas surgiram em segundos e os mecânicos da equipa entraram em acção. O veio é uma peça fundamental do Mr. Bob mas não seria por isto que a travessia ficaria comprometida. Chaves de parafusos e alguma imaginação remediaram o problema, ainda não é desta que a montanha vence os nossos amigos. El San Pedro continuava a debitar mas não a impedi-los de continuarem, pelo contrário, até lhes ofereceu uma longa descida de 25km de curvas pirenaicas. E por este vale serpentearam ao sabor do vento, sem qualquer esforço e recuperando horas preciosas de descanso. O avanço foi rápido e pelas 20h00 os nossos amigos tocavam no botão da campainha de um apartamento de montanha na remota aldeia de Etxalar em busca de lugar seco para pernoitarem. Uma senhora abre a porta e depara com dois gatos-pingados a necessitar de um banho e refeição quente. Com grande euforia entram os nossos amigos no apartamento seguindo as indicações de rotina da responsável. Nas despedidas o acidente deu-se. Em minutos a responsável do apartamento caiu pelas escadas, rebolando o corpo através dos degraus e finalizando a queda no frio pavimento granítico. Ficou paralisada no vão da escada a gemer de dor e ainda a recuperar os sentidos. Imagino a cara dos nossos amigos de boca aberta a assistir a este triste acontecimento. Em minutos o SOS foi accionado e uma ambulância transportou a vítima até ao hospital mais próximo. Os socorristas informaram que a senhora poderá ter partido algumas costelas mas que o estado não era grave, assim esperemos. Amanhã será a ultima etapa da transpirinaica – Etxalar - Irún e a ansiedade domina as almas dos nossos amigos. Com espírito de conquista seguirão os restantes 45km numa etapa curta mas com desníveis consideráveis. O mar será avistado e com sorte rapidamente alcançado para um final com aroma atlântico.

 

Dia 18 de Junho de 09

Into the wild forest

Isaba, amanheceu cinzenta para mais uma etapa. Desta vez a mais longa da transpirinaica 2009 com uma distância de 76,80km e concretizada pelos nossos amigos em grande estilo através da floresta penetrante de Iratí. Durante a noite, enquanto os nossos amigos descansavam no seu castelo de pano, os deuses pirinaicos rogaram al San Pedro para exibir um show de relampagos acompanhado de fortes aguaceiros. O espectaculo durou até a alvorada obrigando aos nossos amigos a uma vigilância permanente do material que se encontrava no exterior. O material tinha que estar protegido e alguem tinha que o fazer. Em modo alerta, revesando a vigilancia de hora a hora, a guarda estava montada. Com certeza uma noite atribulada. O estado fisico dos nossos amigos parece resistir aos desafios que a montanha regala diariamente, desafios estes bem contornados pelos nossos amigos. As forças diminuem diariamente e o cansaço é evidente mas bem combatido pela força psicologica demostrada  nesta grande odisseia. Esta etapa é uma das mais belas de toda a transpirinaica pois é atravessada pela floresta de Iratí que ofereceu durante 72km, um trilho facil de transpor e rodeando os BTTistas com abetos, vidoeiros e pinheiros nordicos. As copas das arvores cobriam o  céu de ramagens verdes e refrescantes não dando assim oportunidade ao sol penetrar por entre as folhagens obrigando aos nossos BTTistas abrigarem-se do frio com capas de forro polar.A travessia, desta maior area florestal do maciço pirinaico, parecia interminável. No horizonte o trilho desaparecia formando uma muralha de ramos verdes dando impressão de um labirinto.A floresta foi mais simpactica que a montanha e ofereceu uma travessia confortável e hoxigenada até a aldeia de Orreaga. O selector de mudanças ainda mantem activo o pulegar já calejado do Ricardo não oferecendo grande problemas na progressão. A etapa terminou no início da noite e a pernoita passada em refugio de montanha para relaxamento e  descanso merecido. Amanhã será a 8ª e penultima etapa - Orreaga – Etxalar – 71km. Mais aventuras se avizinham para mais uma longa etapa em direcção ao ocidente.    

 

Dia 17 de Junho de 09

Desidratante passeio das BTT

Eram 05:00 quando a alvorada recebeu os primeiros raios solares neste majestoso maciço pirenaico. Com energia positiva e muita vontade, retomaram caminho os nossos amigos para uma desgastante 6ª etapa da trasnpirinaica e como tem sido habitual, superada com sucesso. Toda a energia matinal foi bem necessária pois a etapa mostrou-se agressiva até ao final da manhã. A montanha dificultou a vida aos nossos amigos e sem compaixão obrigo-os a darem passeio as BTT. A etapa foi 100% em trilho de montanha e o passeio matinal até parecia agradável, passarinhos a voar, o ar da montanha, a paisagem, tudo bem combinado mas acrescentado a uma pitada de trialeiras pedregosas e complicadas de transpor. O estado de contemplação rápido desvaneceu para o olhar se concentrar na difícil trialeira que os nossos amigos enfrentaram e tiveram que superar. O trilho erguia-se aos mais altos picos desta etapa formando assim uma das passagens mais agressivas desta etapa. Derrocadas de montanha, decoravam o caminho forrando o trilho com gravilha fina misturado com calhaus e pedras de todos os tamanhos e feitios. Parecia um muro de pedra impossível de transpor. Não havia outra hipótese, teriam que superar o trilho mesmo que tivessem que arrastar as BTT a mão. E não restaram dúvidas, esta foi a solução encontrada. Passearam as BTT em modo arrasto durante duas horas com os Bob´s (atrelado de BTT), superlotados com peso superior a 20 kg cada. Mantendo o modo de equilíbrio e com os corpos inclinados para poderem transmitir força necessária ao corpo metálico das BTT. Em progressão lenta e desidratante a chegada ao cume da trialeira no topo da montanha, reanimou os nossos amigos. Desde o cume a montanha foi bem mais generosa, regalando aos nossos amigos uma paisagem de planaltos verdes com trilhos de boa progressão, trilhos estes, bem aproveitados até ao final desta etapa pelos nossos amigos já hidratados e recuperados. O Ricardo mantem o polegar em acção e ainda sem solução do tão esperado conserto do selector das mudanças. Possivelmente já lhe ganhou o jeito. Ao inicio da noite a tenda de campismo foi hasteada e as energias retomadas para mais uma pernoita de montanha. Amanhã, pela madrugada, iniciarão a 7ª Etapa – Isaba – Orreaga – 76,80km. A etapa é longa e com previsão meteorológica ameaçadora. A montanha planeia debitar aguaceiros e ventos fortes durante todo dia. Este plano poderá ressuscitar o nosso amigo Lama e obrigar a mais um atraso enlameado. Esperemos que a montanha não os castigue e se mantenha calma para mais aventuras BTTistas.

 

Dia 16 de Junho de 09

Picados e assombrados

Os madrugas, pelas 04:00 já zumbiam de BTT pelos caminhos pirenaicos através da escuridão e cheios de energia para mais uma travessia, já contada pela 5ª etapa da Transpirinaica. Partindo de Senegé a caminho de Aragués a etapa mostrou-se picante e com um final assombrante nada que os nossos amigos não estejam habituados. A chuva não tardou a aparecer nesta molhada manhã de Junho recompensada com um entardecer luminoso e alaranjado bem característicos do entardecer pirenaico. As BTT estão a dar o máximo e a comportarem-se perfeitamente apesar do selector do Ricardo ainda não estar consertado, afinal o homem parece gostar de dor. A etapa manifestou-se confortável com 50% do troço em alcatrão ajudando assim a progressão e recuperação física que tanto esperavam, acumulando assim uma esperança de concretizarem esta aventura pirenaica, tudo isto se os deuses da montanha permitirem, é claro. Mas o inesperado surgiu através do espaço, um zumbido ou melhor, milhar de zumbidos, mosquitos aos montes, e no monte picaram os nossos amigos certeiramente produzindo inchaços nas pernas das nossas já conhecidas vítimas das circunstâncias. Foram perseguidos por zumbidos durante vários quilómetros numa viagem de coçadelas até a aldeia de Aragués com o objectivo de arranjarem local de pernoita. O plano camping foi posto de parte pois o mesmo ficava desviado 10km da rota a percorrer e assim decidiram procurar um local para pernoitarem na aldeia. Encontraram uma casa velha que por sinal era uma antiga pensão, com aspecto abandonado e assombrado nesta pequena aldeia de montanha. Não havendo mais alternativas, os nossos amigos localizaram a patroa da casa para convencê-la a permitir a pernoita a estes BTTistas estourados. A velhinha consentiu e entregou-lhes a chave da casa com ar triste. No interior da pensão os nossos amigos sentiram um arrepio pois a casa apresentava um ar sinistro, pouco usada, cinzenta e disponível para estes convidados inesperados. Será que a velhinha irá pregar uma partida aos nossos amigos? Alguma assombração pirenaica? Amanhã será a 6ª etapa – Aragués – Isaba - 55,60km. O maciço ocidental dos Pirenéus esta no inicio e pronto a ser desbravado pelos nossos BTTistas e esperemos que os ataques mosquitianos zumbam por outras bandas. Amanhã há mais!

 

Dia 15 de Junho de 09

Enlameados até ao pescoço

Pelas 05:00 da madrugada já os nossos amigos seguiam caminho para a 4ª etapa da transpirinaica desta vez com 59km e superada com grande estilo em modo enlameado. O Céu apresentava-se enublado e acompanhado de chuva o que obrigou aos nossos amigos retirar equipamento dos alforges das BTT para seguirem protegidos das intempéries da montanha. Afortunadamente o tempo melhorou ao inicio da tarde e o sol reinou durante a restante etapa, por sinal complicada e lenta, devido a lama que o trilho apresentava. A zona de passagem, na maior parte da etapa é rural, entre aldeias isoladas com o magico toque pirenaico mas com as suas ruelas e trilhos recheados de bosta bobina empapada em lama semi-liquida com extensões de quilómetros. Este facto tornou lenta a progressão dos nossos amigos. Podemos imaginar a situação, a BTT ficar entalada na lama, desequilíbrio, BTT as costas, pedaladas agressivas, corpos enlameados, lama nos óculos….Tudo isto misturado resultou numa progressão lenta e psicologicamente agressiva. É como escalar uma montanha, ver sempre o cume, mas durar uma eternidade a alcançá-lo. O Ricardo continua com problemas no selector das mudanças mas com a técnica do polegar a coisa vai rolando, com alguma dor pelo meio, mas com a certeza de amanhã o assunto ser resolvido. A etapa finalizou pelas 20h30 na aldeia de Senegué e de imediato seguiram para o camping mais próximo pois os mascarados da Lama necessitavam de um prolongado banho e um jantar reforçado. A montanha continua a ser generosa com os nossos BTTistas e esperamos que assim seja até ao final desta segunda e ultima fase da transpirinaica. Amanhã será a 5ª etapa – Senegé – Aragués – 59,50km com algumas subidas a considerar e trilhos complicados de superar. Mantenha o ritmo e boa sorte.

 

Dia 14 de Junho

Dia extra esgotado

07:00, céu limpo , sol brilhante e paisagem alucinante foi a receita do dia para a ultima parte da 3ª etapa ser superada. O dia correu calmo sem grande esforço físico, sendo a estapa concluida ao final da manhã. Os nossos amigos decidiram utilizar o resto do dia utilizando o dia extra do plano de viagem, aproveitando assim para algumas afinações nas BTT, recuperarem do susto Javaliano e reabasteceram energias para as próximas 6 etapas restantes. O plano de viagem, permitia utilizarem um dia extra como atrás mencionado, dia esse esgotado, obriga ao facto que levará aos nossos amigos terem obrigatoriamente que cumprir todas as etapas de futuro e se possível pedalarem mais horas dia, para tentarem recuperar tempo e conseguirem cumprir com o objectivo pretendido, o que será com certeza uma grande proeza. De momento os nossos amigos encontram-se acampados na aldeia de Broto a descansar e mentalmente prontos para a 4ª etapa de Sarvisé - Senegue - 59km. A partida esta planeada para as 04:00 na esperança de puderem recuperar tempo. 

Amanhã seguem as aventuras! 

 

Dia 12 e 13 de Junho

Trepando árvores Javalis ao ataque

Eram 04:00 da madrugada quando os nossos amigos arrancaram para a 2ª etapa da transpirinaica. A meteorologia continua a ajudar apesar de a temperatura ser elevada, não chove e o frio ainda não atacou. Por enquanto a montanha esta sossegada, que surpresas os esperam. Bonansa foi o ponto de partida para a segunda jornada de 77,55km com destino Escalona que infelizmente não foi superada nos últimos 10km pois os nossos amigos decidiram trepar árvores pela calada da noite numa floresta assombrada por Javalis furiosos e prontos a atacar BTTistas. O sol nasceu para mais um duro dia com desníveis de montanha significativos, pedras rolantes e corpos suados mas com certeza hidratados. Os trilhos de alta montanha foram o menu do dia. Chegando ao vale de Ordesa os nossos amigos foram surpreendidos com os circos de granito e xisto, o vale verdejante com as suas águas cristalinas, cascatas elevando-se na montanha aos topos nevados do Monte Perdido e Marboré, (duas das mais altas montanhas do maciço), simplesmente magico. O Ricardo continua com o problema no selector das mudanças, mas como o rapaz é espertinho, conseguiu reduzir o esforço das pernas e transferi-lo para o dedo polegar, arranjado assim uma solução provisória mas dolorosa. Descobriu que conseguia mudar o selector pressionando com o dedo polegar no cabo do selector e assim com algum esforço consegue deslocar a corrente pelo carreto mas com alguns ruídos estranhos pelo meio. Cada vez que utiliza o polegar as dores manifestam-se criando assim desconforto psicológico mas o homem é duro…até ver. Apesar destes pequenos incidentes tudo correu conforme o planeado aproveitando para desfrutarem paisagens e locais de beleza extraordinária. Por volta das 21h30 os nossos amigos seguiam trilha por uma floresta negra que só com as lâmpadas frontais, poderiam encaixar no trilho. Seguiam com energia suficiente para passarem os obstáculos e alcançar Escalona para pernoita em refúgio, só faltavam 10 km, tão perto, mas longe de saberem que duas crias de Javali iriam surgir na retaguarda. Possivelmente foi um som estranho que obrigou os nossos amigos a passar ao estado de alerta. Confirmou-se que duas crias de Javali passeavam na floresta…mas …a mãe? Pensaram eles de certeza…a mãe apareceu por entre a escuridão, raivosa, a renhir para salvar os filhotes…o pessoal ficou arrepiado com a cena e a pedalada aumentou gradualmente pelas faces obscuras da floresta, imagino o desespero, controlar a bike não foi pêra doce. A mãe Javali não estava só, durante a desesperante pedalada apareceu um Javali macho bem à direita dos nossos amigos com a força agressiva de um animal selvagem pronto a destruir tudo que aparece-se pela frente. O estado de tenção dos nossos amigos aumentou e a cena parecia descontrolada, quando aparece mais um Javali macho pelas penumbras da floresta e em corrida directa, pronto a atacar pela frente directo ao clarão das lâmpadas frontais. Os reflexos surgiram naturalmente e os nossos amigos largaram as BTT e subiram desesperadamente para a árvore mais próxima, trepando como macacos. A estadia nos ramos das árvores foi de aproximadamente 30 minutos, suspensos e tensos. Seria necessário recorrer ao plano B mas desta vez planeado num simples ramo. As lanternas são accionadas e o plano elaborado, que consistiu em descerem a árvore e subir um conjunto de calhaus nas proximidades e ao mesmo tempo retirar algum material das BTT, tudo em velocidade pois o Javali andava pela zona. Os Javalis deram uma aberta e por momentos desviaram-se dando tempo para o plano B ser executado. O plano B pareceu acertado mas na opinião dos nossos amigos um pouco desconfortável pois o calhau apesar de ser alto tinha o seu cume reduzido obrigando aos nossos amigos a uma espera apertada com os Javalis como espectadores….cena teatral talvez…para os bichos. A cena continuou por várias horas até os Javalis partirem para outros ataques pois os nossos amigos não arredavam pé do calhau. Pelas 06:00 na alvorada a fome, desconforto, cansaço, dominaram o panorama. Comeram a massa que restava ao pequeno-almoço e seguiram de imediato até ao refúgio da aldeia de Merin para um banho quente, descanso e alguma comida quente. Estávamos no dia 13 e pela hora do almoço já a 3ª Etapa (58,60km) foi alcançada pelos nossos amigos, percorrendo um terço dos quilómetros pretendidos e na esperança de não serem visitados novamente pelos Javalis da floresta, só restava a alternativa de abrandar a marcha e recolher ao refúgio na esperança de recuperarem psicologicamente e restabelecerem energias. Amanhã será finalizada a 3ª etapa com destino Sarvisé – Torla para mais uma pernoita e preparativos. Boa sorte amigos… boa caça nocturna.

 

Dia 11 de Junho

Single Treck acidente no estacionamento

Eram 04:00 da madrugada quando os nossos amigos arrancaram para a 1ª etapa da transpirinaica. O cenário era perfeito, céu estrelado, montanhas geladas e a alvorada pronta a surgir no horizonte montanhoso. Esqui foi o ponto de partida para a primeira jornada de 64,65km com destino Bonansa que os nossos BTTistas realizaram com sucesso apesar de alguns contratempos. O dia apresentava-se fresco até o sol despertar, por sinal bem agressivo com temperaturas a chegarem aos 33 graus célsius. Foi desesperante pedalar nestas condições pois em alta montanha o ar torna-se seco e abrasador deixando os nossos amigos em alto aquecimento corporal obrigando a uma hidratação permanente. O dia corria bem quando pela hora do almoço um pequeno incidente dificultou a progressão do Ricardo. Enquanto os nossos amigos se abasteciam no supermercado de uma pequena vila de montanha, um estrondo no exterior da loja, surpreendeu o pessoal. Resultado, um automobilista no estacionamento do exterior da loja, abalroou a BTT do Ricardo, danificando o desviador das mudanças, provocando à BTT uma avaria grave que, incapacitou a progressão em velocidades baixas. Este incidente obrigou ao Ricardo a pedalar até ao final da etapa em grande esforço, o que poderá debilitar o nosso amigo para a etapa seguinte. O incidente foi superado graças as pernas do Ricardo mas quanto ao caminho este sim, foi acidentado, mostrando a montanha a sua liderança natural e pronta a ser desbravada pelos nossos amigos. O maciço central é o sector mais montanhoso de toda a transpirinaica e de momento é onde se encontram e encontrarão nos próximos três dias. Hoje o menu foi subir "single trecks" com pedra solta e desfiladeiros de 1200m de declive que foram ultrapassados cautelosamente pelos nossos amigos através das suas passagens vertiginosas. No decorrer da etapa encontraram uma subida tão agressiva que tardaram 3:30 horas a efectuar pois o solo era irregular estilo "rolling stones" que foi duro de roer.

Pelas 21h30 chegaram a Bonansa com os corpos doridos e ansiosos por um banho quente pois o dia foi extenuante. Escolheram uma residencial pois por qualquer motivo não puderam pernoitar em camping mas o mais imortante será relaxar e abastacer o corpo para mais um dia cheio de aventuras.

Amanhã será a segunda etapa Bonansa - Escalona - 77,55km. Esta etapa poderá estar sujeita a atrasos pois o Ricardo necessita consertar a BTT o que de certeza implicará o arranque tardio da segunda etapa.

Bom descanso amigos...amanhã a aventura continua!

 

Dia 10 de Junho

Pela madrugada e o fantasma Esqui

Por volta das 01H00 os nossos amigos partiram do Porto em direcção aos Pirenéus com o veiculo a abarrotar de material e as BTT bem fixas no tejadilho. A viagem correu bem apesar da chuva e vento acompanhar. Este ano a logística foi simplificada e o transporte efectuado por via terrestre. No veiculo seguiam o Rui, Ricardo e o motorista particular da transpirinaica que após deixar os nossos amigos no início da travessia regressou ao Porto...de momento esta em viagem.  O plano de viagem consistiu numa paragem obrigatória ao outlet da Barrabés na cidade de Huesca onde os nossos amigos adquiram o material de montanha em falta para tornar a odisseia mais confortável. Seguindo viagem por terras pirenaicas o ponto de chegada foi alcançado pelas 16h30 após 1200km de alcatrão. À chegada da Aldeia de Esqui, o céu apresentava-se encoberto e os picos das montanhas cobertos de neve...mas...surpreendidos ficaram os nossos amigos quando encontraram Esqui uma aldeia fantasma. Não havia viva alma pelas redondezas, tudo encerrado, o camping de portas trancadas e a montanha a rodear os nossos solitários amigos....good feeling. O plano B não tardou e os contactos telefónicos surgiram dos alforges das Btt pois tudo foi preparado. Um telefonema resolveu a situação e o dono do parque autorizou a pernoita aos nossos amigos..." Vale ..o portão esta aberto é só empurrar...buena suerte" disse o proprietário do parque. Já relaxados os nossos amigos montaram acampamento com o objectivo de pernoitarem em sossego pirenaico. 

Amanhã será a primeira etapa Espui - Bonansa - 64,65km. A partida será pelas 05h00 e esperamos mais aventuras dos nossos Bttistas.

 

Alojamento:

www.mikelestonea.com
info@mikelestonea.com
Telf. 948 635 075 / 689 042 621
(Axun Maia)

Introdução:

Efectuar a travessia dos Pirenéus em BTT não é uma aventura para todos e só os mais duros têm coragem de a concretizar. Em 2007 três elementos do N Aventuras efectuaram a primeira etapa com sucesso apesar de muitas agravantes pelo caminho. Em 2009 a travessia continua e desta vez com menos um elemento o que de certeza tornará esta odisseia mais agressiva. Esta actividade terá a duração de nove dias em BTT. A partida dos nossos BTTistas será no dia 10 de Junho com regresso a Portugal no dia 20 de Junho. 

 

  Rui Cruz

 

 Ricardo Monteiro

                                                                           

Esta será a segunda e última  fase do projecto " Transpirenaica " e desta vez com 9 etapas . A distância a percorrer será de 567 km perfazendo uma média diária de 65km por montes e vales com desníveis acentuados, temperaturas variáveis e em autonomia total.

 

Etapas

 

Dia Etapas Localidades km's Tempo Desv Sub Desv Des Ct Max.
10-Jun Viagem Porto - Espui          
11-Jun Etapa 8 Espui - Bonansa 64,65 6 a 7  1310 1470 1610
12-Jun Etapa 9 Bonansa - Escalona 77,55 7 a 8  1300 1240 1580
13-Jun Etapa 10 Escalona - Sarvisé  58,60 7 a 8  1600 1340 2200
14-Jun Etapa 11 Sarvisé - Senegüé 59,00 7 a 8  1100 1130 1780
15-Jun Etapa 12 Senegüé - Aragüés 59,50 5 a 6  1440 1300 1430
16-Jun Etapa 13 Aragüés - Isaba 55,60 6 a 7  <span style="font-f


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